Ser LGBTTI+ no Brasil, não é uma tarefa fácil, e agora vou te contar o porquê. Para começar, LGBTTI+ significa: lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais e usamos o sinal de mais “ + ” em respeito a todos os grupos que estão juntos na causa. Agora seguimos.

Antes de tudo, passamos pelo processo de assumir a identidade e orientação sexual, processo popularmente conhecido como “sair do armário”. Para alguns de nós é sofrido e dolorido, pois nossa primeira rejeição vem da família, de quem esperamos ser nosso porto seguro, nos sentimos sozinhos, inseguros, os momentos dentro de casa são conturbados.

Em 2016, um adolescente de 17 anos, chamado Itaberly foi esfaqueado e carbonizado, a mando da mãe e do padrasto, pelo fato de ser homossexual. Este ano, mais um adolescente se suicidou pela rejeição e as constantes brigas com a família. Ao buscar mais informações no google, fiquei impressionado, porque existem muitas outras notícias de LGBTTI’S que foram assassinados ou se suicidaram neste ano de 2018. Inclusive após o suicídio de um jovem, a mãe deu entrevista nas mídias e disse que foi um alivio o filho ter morrido, pois para ela era mais fácil aceitar a morte do que o filho viver em pecado.

Nossas experiências na família são geralmente negativas, pois se é naturalizado que nasçamos heterossexuais e que se formos diferente disso é doença etc. e não somos doentes (risos).

Além das situações violentas que alguns de nós vivenciamos dentro de casa, moramos em um país que mais mata LGBTTI’s no mundo, é possível encontrar na internet, em fontes confiáveis, sobre o alto índice de mortalidade. Em 2017, por exemplo, já em setembro foram registrado 277 homicídios, sendo recorde, passando de uma morte por dia de LGBTTI’S, 277 sonhos perdidos, 277 chances perdidas de mudar o mundo e construir um mundo mais inclusivo e colorido.

Nesse ano a tendência é de ser mais cruel, no primeiro trimestre desse ano, já foram registrados 126 mortes de LGBTTI’S. Saímos para estudar, trabalhar ou passear com medo, inseguros, pois parece que a qualquer momento seremos a próxima vitima, sem contar as discriminações verbais que chegam a tom de brincadeiras.

No dia 17 de maio é comemorado o Dia Internacional Contra LGBT fobia e nesse dia só queremos registrar que nosso desejo não é destruir famílias, causar o caos mundial, impor uma ditadura gay ou algo do tipo de que somos acusados todos os dias. Nossa batalha é por respeito, visibilidade, melhores condições de vida e principalmente, nossa batalha é para que possamos continuar vivos (um/uma travesti ou transexual tem expectativa de vida de 35 anos aqui no Brasil).

Escrevo essa carta com a esperança de que algum dia será possível vivermos em paz e em harmonia. Encerro a mesma em memória a várias(os) irmãs(ãos) que tiveram a vida interrompida por causa da LGBTfobia.

Vocês devem ter percebido que foi repetitivo a escrita da sigla LGBTTI’S e foi intencional, essa foi a forma que encontrei para trazer visibilidade. Sou da área da educação e escrever e ler são processos importantes e significativos na formação do sujeito. Encerro dizendo “A LUTA CONTINUA”.

Paulo Telles
LGBTT+
Centro da Juventude

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